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Terra Animal

Blog Vertical dedicado a Agricultura, produção animal, caça, floresta e pesca

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Controlo Biológico: o Segredo do Controlo Controlado

23 de Maio, 2019 by olinda de freitas Deixe um comentário

Uma alternativa saudável aos pesticidas

O controlo biológico consiste em utilizar os próprios seres vivos para combater os parasitas ou os predadores. Não será mais viável do que a utilização de pesticidas para o combate das pragas, já que estes últimos agridem o meio ambiente, intoxicam os animais e consomem muitos recursos financeiros?

O processo de controlo biológico caracteriza-se exactamente pela introdução, no ecossistema, de um inimigo natural da espécie nociva. O objectivo é manter a densidade populacional dessa espécie em níveis compatíveis com os recursos do meio ambiente.

Controlo biológico através de parasitas ou de predadores

O controlo biológico pode ser feito a partir da introdução de parasitas específicos ou de predadores se bem que, até agora, o processo mostrou-se mais eficiente através da introdução de parasitas por ser mais específico: o parasita morre com o organismo parasitado.

Veja alguns exemplos:

  • Um exemplo de controlo biológico por meio de parasitas é a utilização do vírus Baculovírus anticarsia, um vírus que ataca apenas as lagartas que comem as folhas de soja, não prejudicando outros seres vivos.
  • Como exemplo de controlo biológico feito por meio de predadores, temos o Gambusia affinis – um peixe que come as larvas do mosquito Anopheles (transmissor da Malária).
  • Outro exemplo é a vespa chamada Trissolcus basalis. Este insecto deposita os seus ovos (cerca de 250 em cada época) no interior dos ovos de algumas espécies de percevejos. Os ovos do percevejo são usados como alimento pela larva da vespa, não havendo a formação de adultos, ou seja, as pragas.

As vespas Trissolcus basalis são criadas em laboratório para que possam ser colocadas nas plantações de soja e continuem a predar os ovos dos percevejos. O método mais eficiente é distribuir pela cultura ovos de percevejos e ovos das vespas. As vespas são libertadas após o florescimento da soja, quando os percevejos iniciam a época.

O controlo biológico exige, no entanto, cuidados…

Um controlo biológico adequado exige a realização de uma avaliação dos riscos associados a esta prática, pois muitas espécies estranhas são introduzidas em ambientes naturais sem que haja um estudo aprofundado – o que  pode provocar sérias alterações nas características do ecossistema, como a eliminação de espécies nativas através de competição ou de predação.

Um passado desastroso de controlo biológico

Muitos antes dos avanços da ciência e da tecnologia nesta área, o homem já tentava fazer controlo biológico nas suas culturas. Aqui ficam dois exemplos de tentativas desastrosas:

  • Em 1872, o mangusto (mamífero carnívoro) foi introduzido na Jamaica para combater ratos que se espalhavam nas plantações de cana-de-açúcar. O mangusto acabou com os ratos e também com outros mamíferos, aves terrícolas e crustáceos, causando graves alterações no ambiente;
  • Em 1859, alguns casais de coelhos foram introduzidos na Austrália para o combate às ervas daninhas que se multiplicaram na região. Por não encontrarem predadores naturais, nem parasitas que regulassem a sua própria população, os coelhos proliferaram tanto que destruíram grande parte das pastagens australianas – causando um enorme prejuízo à pecuária, uma grande fonte de riqueza daquele país.

O controlo biológico na agricultura, através de parasitas ou de predadores, é, sem dúvida, uma alternativa saudável à poluição do ambiente e da saúde humana.

Urge sempre, no entanto, avaliar os riscos desta prática com rigor  – pois o descontrolo pode trazer bastantes consequências danosas.

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A árvore, a república e a festa que é ter florestas

2 de Fevereiro, 2019 by olinda de freitas Deixe um comentário

As árvores, cada árvore, são importantíssimas, não só pela produção de oxigénio, como pela poesia com que desenham as paisagens e também as nossas raízes. No entanto, são as árvores jovens que – por produzirem gás carbónico em menos quantidade – asseguram a nossa qualidade de vida naquilo que é respirar – daí a importância da arborização e rearborização (enquadramento legal de arborização e rearborização: aqui).

Bem visto há, em cada árvore, na floresta, um monumento natural que importa preservar e cultivar. Que vivam as florestas!

A árvore e a 1ª República

Não, não há engano nesta relação: o culto da árvore, a Festa da Árvore, a classificação e proteção de árvores notáveis, o reconhecimento dos benefícios da arborização e da silvicultura, a necessidade de cooperação e diálogo entre os agentes que contribuem para a modernização florestal – valores e símbolos com imenso significado nos ideais da 1.ª República, ainda se mantêm.

Impressionante, não é?

Ao culto da árvore está associado a manifestações cívico-pedagógicas, valores republicanos – a fraternidade, a educação e o culto da pátria -, designadas de Festas da Árvore como:

  • a criação da Associação Protectora da Árvore tão fulcral para o desenvolvimento florestal do país;
  • a propaganda sistemática a favor da árvore através de festas, conferências, plantações comemorativas e publicação de artigos de jornal e livros alusivos;
  • a classificação e protecção das árvores notáveis;
  • a aposta na reorganização e modernização da Administração Florestal, de que as Conferências Florestais de 1914, 1915, 1916 e 1917 são exemplo;
  • a intensificação do regime florestal vocacionado para a arborização das dunas do litoral e do interior montanhoso e serrano.

Estava assim iniciado um movimento cultural e cívico de celebração dos benefícios da Árvore e da Floresta, constando essencialmente da plantação de árvores, de um ambiente festivo e de discursos de sensibilização a favor da árvore.

Como era na altura?

O cenário florestal do país era propício a este movimento – dada a significativa desarborização em que se encontrava e também as necessidades crescentes em madeira. Ao longo do século XIX, ocorreu uma significativa desarborização de folhosas, nomeadamente carvalhos e castanheiros; as serras do interior estavam profundamente erosionadas e era extremamente urgente e necessário secar pântanos e fixar dunas através da arborização. Logo no início do século (1901, 1903 e 1905) foi estabelecido o Regime Florestal, base jurídica para uma vasta acção do Estado em prol da arborização, nomeadamente em Baldios, e começam os primeiros trabalhos de arborização nas serras em parelha com os trabalhos de fixação de dunas.

Curiosidade

Em 1912 o Jornal “O Século Agrícola” lançou uma forte campanha de apelo à Festa da Árvore, à escala nacional, que encontrou o maior eco junto dos governantes, dos agricultores, das escolas, das associações e das autarquias. Presidente da República, Ministros e altos responsáveis da administração pública e do poder local presidiram às comemorações. Agricultores, viveiristas e Serviços Florestais asseguram o fornecimento das árvores a plantar e as açcões de propaganda eram levadas a cabo pelos professores, por prestigiados agricultores e técnicos agronómicos e florestais e ainda pelos sócios da Associação Protectora da Árvore, constituída formalmente em 1914 com vista à “propagação, defesa e culto da árvore“.

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Parque Nacional da Peneda-Gerês: Um espaço a visitar pelo menos uma vez

6 de Dezembro, 2018 by Noémia Santos 1 comentário

O Parque Nacional da Peneda-Gerês está situado no extremo nordeste do Minho estendendo-se até Trás-os-Montes. Abrange um total de 22 freguesias que se distribuem por 5 concelhos (Arcos-de-Valdevez, Melgaço, Montalegre, Ponte da Barca, Terras do Bouro).

Este parque tem uma extensão de 70290 hectares e é gerido pelo instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB). Todas as áreas abrangidas foram unidas no que se chama agora o Parque Nacional Peneda-Gerês com o intuito de realizar um planeamento que possibilitasse a valorização dos recursos naturais existentes e as actividades humanas que caracterizam este espaço. Sendo a única com estatuto de Parque Nacional, tinha como objectivo preservar os solos, a flora, a fauna, as águas e a paisagem desta região.

A Unesco considera o Parque Nacional Peneda-Gerês como reserva mundial da biosfera e, a nível mundial, é considerado como sendo um dos últimos redutos do país onde se encontram ecossistemas no estado natural. Existe, neste local, derivado das condições climatéricas presentes (grande precipitação e amplitude térmica moderada) um sem número de espécies (cerca de 235 vertebrados e mais de invertebrados) que representam uma parte da biodiversidade que podemos encontrar no Parque, sendo que uma parte tem o estatuto de espécie em risco ou em vias de extinção (cerca de 71). O Parque Nacional da Peneda-Gerês localiza-se entre o Oceano Atlântico e os ambientes climáticos do interior da península (apresenta 3 redes hidrográficas e 6 barragens) facto que, aliado à configuração do relevo, condiciona as características climáticas existentes, o que terá efeitos no manto vegetal, nas características dos solos e na própria cultura, ou seja, a forma de estar e os costumes da população. De entre as várias espécies existentes no Parque Nacional Peneda-Gerês, podemos encontrar o javali, o veado, o texugo, a lontra, a raposa (espécies existentes em maior número) assim como, a águia-real, o milhafre-real, o falcão, a víbora negra, a cobra-d”água, o lagarto d”água e a salamandra. Relativamente às espécies em risco ou em vias de extinção, entre os cerca de 71 animais, os casos mais conhecidos são o lobo cinza, o corço, o cavalo garrano selvagem, o gato bravo, a enguia europeia, o morcego-de-ferradura. Existiu também a cabra-do-Gerês que, consequência da acção humana, se extinguiu. Além desta biodiversidade, existem no Parque Nacional Peneda-Gerês locais muito interessantes a visitar tais como, os castelos de Castro Laboreiro e do Lindoso (monumentos megalíticos), a ponte românica de Mizarela, os espigueiros, o marco milenário na Geira, os vários miradouros existentes, Mosteiro de Santa Maria das Júnias, Vilarinho das Furnas, Termas do Gerês, trilhos pedestres, entre muitos outros locais. No Gerês podemos também realizar actividades como, por exemplo, turismo de natureza (canoagem, caminhadas, orientação, trilhos interpretativos, observação da natureza, BTT…), turismo activo (trilhos com GPS, trilhos homologados, manobra de cordas, passeio a cavalo, tiro ao alvo, passeios de TT…), Slide, Rapel, escalada, Karaoke, team-building, passeios de charrete, paintball, Moto 4, jogos de equipa, arqueologia, astronomia, nadar, passeio de gaivotas, mergulho, visitas culturais e um sem número de actividades adaptadas aos gostos de cada um. Quanto à estadia, poderá optar pelo conforto, dispondo de um conjunto de hotéis, residenciais e estalagens ou, apelando aos seu espírito aventureiro e ambiental, optar pelo campismo, campismo selvagem ou turismo rural. O Parque Nacional Peneda-Gerês dispõe de um conjunto vasto de ofertas a nível de estadia e de actividades, dirigidas a todas as idades e a todos os gostos. Acima de tudo representa um tesouro nacional pela sua biodiversidade e beleza, capaz de tirar a respiração com as suas paisagens estonteantes ao longo de toda a sua extensão. É um local que, ainda que com muitas actividades e turismo, consegue ser um local ideal para quem procura o sossego e a paz da natureza para escapar à agitação habitual da cidade. Um óptimo local de reflexão e inspiração para quem a procura.

O Parque Nacional Peneda-Gerês é sem dúvida um daqueles locais que todos deveriam visitar pelo menos uma vez na sua vida (se conseguirem não regressar a um local tão rico e inspirador).

Arquivado em:Silvicultura Marcados com:actividades dos portos de recreio, agricultura, águas termais, alojamento, ambiente, animação turística, bicicletas de montanha, btt, bungee jumping, corrida de barcos, cuidados de saúde, defesa do ambiente, descoberta arqueológica, desporto, desportos com gps, equipamento de mergulho, estilo de vida saudável, exploração florestal, GeoCacherZone, geocaches em Portugal, investigação arqueológica, locais de alojamento, mergulho, mergulho portugal, motoquatro, paintball, paisagismo, parques de campismo, parques de caravanismo, planta, prevenção, rafting, rapel, saúde, saude termal, spa, terapias termais, turismo no espaço rural

Fileiras Florestais em desempenho: Observatório criado

1 de Dezembro, 2018 by olinda de freitas 1 comentário

As Fileiras Florestais possuem imensa importância, além de ambiental, económica, nomeadamente pela sua contribuição para o Produto Interno Bruto e para o emprego Este sector apresenta também como vantagem o facto de ser sustentado, maioritariamente, por matérias primas nacionais. No entanto, actualmente, o sector florestal tem de enfrentar constantes desafios.

Quais os desafios inerentes às Fileiras Florestais?

Desafios constantes em termos

  • da internacionalização dos mercados e da economia;
  • de uma maior preocupação quanto à sustentabilidade dos recursos e qualidade dos produtos, e implicações na adopção de sistemas de certificação da gestão e da cadeia de responsabilidade;
  • de uma maior sensibilidade a pragas, doenças e incêndios;
  • da crescente complexidade das organizações sectoriais e dos agentes económicos;
  • da concorrência na utilização das matérias primas florestais nacionais, nomeadamente pelo surgimento de fileiras emergentes como consequência do aumento da procura de produtos não lenhosos e de bens de uso indirecto.

O acesso a informação estatística florestal credível, organizada e actualizada é, portanto, urgente para o desenvolvimento do sector – tal como está, aliás, patente nas orientações políticas e estratégias, de âmbito florestal, ao nível nacional e internacional.

Orientações políticas e estratégias no âmbito das Fileiras florestais

  • Estratégia Nacional para as Florestas (Resolução do Conselho de Ministros n.º 114/2006);
  • Estratégia Florestal da União Europeia através do “Sistema Europeu de Informação e Comunicação Florestal (Efics)”;
  • Plano Estratégico para as Florestas, da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO).

A criação de um observatório para as Fileiras Florestais

surgiu da parceria da Autoridade Florestal Nacional com representantes das Fileiras Florestais, com destaque para a Associação para a Competitividade da Indústria da Fileira Florestal (AIFF) – cujo site está desactualizado desde 2010. Enfim.

O Observatório está, entretanto, em desenvolvimento e o objectivo é criar uma plataforma de informação e comunicação no sentido de se conhecer e avaliar o desempenho actual das Fileiras Florestais facultando, para isso, aos agentes económicos e ao Estado, condições mais favoráveis na tomada de decisão, na definição e avaliação de políticas florestais em simulações prospectivas e na resposta a compromissos internacionais assumidos por Portugal.

Em uma primeira fase, o trabalho incidiu na recolha da informação estatística sempre com vista ao interesse directo e/ou indirecto das estatísticas para a avaliação das Fileiras Florestais.  Os dados estão organizados numa base de dados única (Observatório), cuja complexidade poderá ainda exigir ao utilizador o estudo prévio dos conceitos e critérios (Glossário) que estiveram presentes na sua organização. No sentido de minimizar esta dificuldade pode ser consultado um relatório síntese.

Observatório: um processo contínuo e para continuar

Note-se que este sistema de Observatório, de recolha e pesquisa dinâmica, está em contínuo aperfeiçoamento e adaptação à realidade concreta das necessidades do sector das Fileiras Florestais.

Arquivado em:Botânica e Floricultura, Silvicultura Marcados com:ambiente, exploração florestal, Fileiras Florestais, florestas, Observatório, orientações políticas sector florestal, sector florestal

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